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Aposentadoria por idade com tempo na roça: saiba como comprovar e garantir o seu direito

  • Foto do escritor: Estephanie Gomes
    Estephanie Gomes
  • 17 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Milhares de brasileiros trabalharam parte da vida na roça, ajudando a família na agricultura, e depois passaram a exercer atividades urbanas. O que muitos não sabem é que esse tempo rural pode ser somado ao tempo urbano para completar o tempo mínimo exigido na aposentadoria — o que se chama de aposentadoria híbrida ou mista.

Este tema é um dos mais buscados no Google, com dúvidas como:

“Posso contar o tempo de roça para aposentar?” “Quais documentos o INSS aceita?” “Trabalhei com meus pais na roça, isso vale para aposentadoria?”

Neste artigo, explico quem tem direito, como funciona o cálculo e quais documentos o INSS aceita para comprovar o trabalho rural.

🌾 O que é a aposentadoria por idade híbrida (ou mista)

A aposentadoria híbrida foi criada para beneficiar quem trabalhou parte da vida no campo e parte na cidade, permitindo somar os dois períodos (rural + urbano) para atingir o tempo mínimo exigido para a aposentadoria por idade.

Requisitos atuais (após a Reforma da Previdência):

  • Mulheres: 62 anos de idade e 15 anos de contribuição;

  • Homens: 65 anos de idade e 20 anos de contribuição (regra atual da EC 103/2019). Para quem filiou-se antes da reforma da Previdência permanece a comprovação de 15 anos de tempo de contribuição.

👉 Importante:

O tempo rural pode ser contado independentemente de ser anterior ou posterior a 1991, desde que seja comprovada a atividade rural.

A exigência de que o período seja anterior a 1991 só vale para quem pretende aposentar-se por tempo de contribuição, e não por idade (rural ou híbrida).

👩🏻‍🌾 Quem pode usar o tempo de roça

Podem utilizar o tempo de trabalho rural:

  • Pessoas que trabalharam na roça com a família (regime de economia familiar);

  • Pequenos produtores, meeiros, parceiros e arrendatários rurais;

  • Trabalhadores rurais sem registro formal, desde que comprovem a atividade.

📌 Atenção: o tempo rural pode ser somado ao tempo urbano mesmo que o segurado atualmente resida e trabalhe na cidade — por isso o nome aposentadoria híbrida.

📄 Documentos aceitos pelo INSS para comprovar o tempo de roça

Para reconhecer o tempo rural, o INSS exige início de prova material (documentos que mostrem o vínculo com a atividade rural), complementado por provas testemunhais se necessário.

Principais documentos aceitos:

  • Certidão de nascimento dos filhos, constando “lavrador” ou “agricultora”;

  • Certidão de casamento, com profissão rural;

  • Certidão de nascimento de irmãos com qualificação dos pais como lavradores;

  • Bloco de notas do produtor rural;

  • Contratos de arrendamento, parceria ou comodato;

  • Declaração do sindicato rural (com base documental);

  • Notas fiscais de venda de produtos agrícolas;

  • Comprovante de inscrição no INCRA;

  • Fichas de atendimento médico, escolar ou religioso com endereço rural;

  • Histórico escolar de escolas rurais;

  • Carteira de vacinação ou associação em cooperativas agrícolas.

⚖️ Dica: mesmo que o documento esteja em nome do pai, mãe ou cônjuge, ele pode ser utilizado, desde que o segurado comprove que vivia e trabalhava junto da família no mesmo núcleo rural.

🧾 Como pedir a aposentadoria

O pedido pode ser feito de forma totalmente online, pelo portal Meu INSS.

Passo a passo:

  1. Acesse o site ou aplicativo “Meu INSS”;

  2. Faça login com sua conta gov.br;

  3. Escolha “Pedir Aposentadoria por Idade”;

  4. Envie digitalmente todos os documentos rurais e urbanos;

  5. Aguarde a análise. Se necessário, o INSS poderá agendar uma entrevista rural.

Caso o benefício seja negado, é possível recorrer administrativamente ou ajuizar ação judicial, apresentando documentos adicionais e testemunhas.

⚖️ Entendimento dos tribunais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento consolidado no Tema Repetitivo 1007, no sentido de que:

“O tempo de serviço rural pode ser computado para fins de aposentadoria por idade híbrida, ainda que posterior a 1991 e mesmo sem recolhimento de contribuições.”

Ou seja: o trabalho na roça tem valor jurídico e pode ser reconhecido tanto no INSS quanto na Justiça, desde que existam provas e testemunhas idôneas.

💬 Exemplo prático

Imagine Maria, que trabalhou de 12 a 25 anos ajudando os pais na lavoura e, depois, exerceu atividade urbana por mais 10 anos.

Mesmo sem nunca ter contribuído ao INSS na época da roça, ela pode somar esse tempo ao urbano e alcançar os 15 anos mínimos exigidos para a aposentadoria híbrida por idade.

💡 Conclusão

O tempo de trabalho rural é um direito valioso para quem dedicou anos de esforço no campo e, depois, passou a trabalhar na cidade.

Com as regras atuais, é possível somar os períodos e garantir a aposentadoria por idade — seja rural, urbana ou híbrida.

Por isso, é essencial:

  • Reunir o maior número possível de documentos rurais;

  • Analisar se o tempo de contribuição urbano já completa o requisito;

  • Buscar orientação jurídica especializada para evitar erros no pedido e garantir o reconhecimento integral do tempo de roça.

Quem trabalhou na roça, mesmo sem registro, não deve abrir mão desse tempo de serviço.

Com documentação adequada e boa orientação, é possível transformar anos de trabalho rural em um benefício justo — honrando a trajetória de quem ajudou a sustentar o Brasil com o próprio suor.

 
 
 

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